Coincidentemente, logo após criar o blog, comecei a ler o livro de nome escrito com muito custo ai encima, de Dostoievski (também escrito com muito custo...). Niétotchka é o diminutivo carinhoso de Ana, em russo. Ao mesmo tempo, é uma referência a "niet", que significa 'não' em russo. Na nota do tradutor em que isso é explicado, ele diz que talvez isso seja referencia ao apreço de Dosto (ai, que intimidade, huahauhua) pelos renegados, os que ouvem o não a todo o tempo.
E sabe, acho que isso foi o que mais enxerguei no livro, a relação entre o orgulho, o medo de ser um esquecido, de ser um mediocre, e a falta de amor-proprio, a humildade levada aos seus limites mais profundos; o quanto querer ser bem amado e reconhecido pode levar-nos a abandonarmos o cuidado de nós mesmos.
Uma obra maravilhosa, que começa por tratar os esquecidos já pela protagonista, uma menina na infancia e adolescência, pobre e órfã. E por tratar os orgulhosos já pelo primeiro personagem citado na obra, Iefimov, o padrasto da querida Niétotchka.
Recomendo a todos que leiam, nao vou mais falar do livro, senao conto a historia toda e estrago tudo tudo. Mas acho que é uma bela visão de como a sociedade pode nos fazer sentir mediocres ou ilustres, e o quanto a gente pode se enganar acreditando no que ela diz.
Há outros elementos interessantes no texto, mas esse foi o que mais minha atenção observou, e nao consegui parar de lê-lo, e me chateei quando o livro acabou, porque lições vêm uma atrás das outras - a mim, que sou tão pequena. De outra pequena.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
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